Caminhada pelo fim da violência e da intolerância religiosa.

Representantes de comunidades e terreiros de candomblé do Engenho Velho da Federação e entorno participaram nesta quinta-feira (15) da XIV Caminhada pelo fim da Violência e da Intolerância Religiosa e pela Paz, que saiu do fim de linha do bairro em direção ao Terreiro do Cobre.

De acordo com a organização, o tradicional evento, que acontece desde 2004, teve início quando membros de terreiros do Engenho Velho sofreram agressões por parte de pessoas ligadas a igrejas neopentecostais.

O músico Don Lito relembrou o começo do movimento e afirmou que, ainda hoje, a união dos povos de axé é importante para o combate à intolerância religiosa.

“É fundamental estarmos unidos e colocando a nossa cara na rua para dizer que o povo de axé está vivo e combativo. Na verdade, somos uma das religiões mais massacradas pela intolerância”, declarou Lito.

A multidão, que estava com roupas brancas e reuniu, no início da caminhada, cerca de 200 pessoas, conforme a organização, percorreu todo o trajeto ao som de músicas e danças típicas das religiões de matrizes africanas.

A pedagoga Zenilda Natividade, que faz parte do Terreiro do Cobre, contou ao CORREIO que “a XIV edição da caminhada acontece, justamente, para reafirmar a resistência contra toda a intolerância religiosa que atinge as pessoas de religiões de matriz africana, sendo um momento de união dos terreiros para, juntos, pedirem paz”.

Agressões
Entre 2013 e agosto de 2018, a Bahia registrou 135 ocorrências de intolerância religiosa, segundo números Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Os números mostram que no período houve aumento de 450% nos casos ligados à intolerância religiosa. Apenas nos oito primeiros meses deste ano, foram 29 ocorrências no estado, número que já superou o registrado em todo o ano de 2017. O ano em que mais houve registros foi em 2016, com 32 ocorrências de intolerância.

A vendedora Adriana Sotero, de 23 anos, estava atenta às palavras de Mãe Val, do Terreiro do Cobre, antes do início da caminhada. Para ela, “a luta diário do povo de axé precisa ser mostrada sem medo e, para que isso aconteça, é necessário ir às ruas e mostrar que temos voz”.

Adriana ainda complementou dizendo que a intolerância e os casos de agressão contra pessoas ligadas às religiões de matrizes africanas são constantes no dia-a-dia e precisam ser combatidos. “Eu, como iniciada no candomblé, sofro com isso todos os dias e preciso mostrar a minha cara na rua e reafirmar a força de meu povo”, concluiu.

Apoio
Mãe Val, que é mãe de santo do Terreiro do Cobre, fez questão de reforçar a importância da caminhada e dizer que todo o movimento acontece graças à união entre os terreiros do Engenho Velho da Federação e adjacências.

“Eu fiquei muito feliz de ver muitos amigos hoje aqui, porque existe um mito de que o povo de candomblé não se une. Mas, na verdade, se a gente não se unisse, essa caminhada não sairia. Agora, brigar, a gente vai brigar sempre, porque família que é família briga, mas se respeita”, declarou Mãe Val.

A mãe de santo também aproveitou a oportunidade para, além de agradecer o apoio dos membros dos terreiros, criticar a falta de apoio de órgãos públicos à caminhada, bem como a ausência de políticos no evento. “Agora que o período eleitoral passou, a gente não conseguiu apoio e estamos realizando este evento, o caruru do tamanho que é, tudo isso graças à união do povo de axé”, afirmou.

Caruru ou Amalá
Ao final da caminhada, que terminou no Terreiro do Cobre, aconteceu a distribuição de 2.500 unidade de pratos de caruru ou Amalá de Xangô, oferecido para a resolução de questões relacionadas à justiça. Para o preparo foram usados 6 mil quiabos, 40 kg de camarão, 8 sacas de cebola, 40 kg de feijão fradinho, 40 kg de arroz, 30 kg de farinha, 400 kg de frango, além dos temperos e 48 litros de azeite de dendê.

Denúncias
As vítimas de intolerância religiosa e racismo, em ocorrências de qualquer natureza, contam com o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela. O equipamento, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), dispõe de uma equipe multidisciplinar para apoio nas áreas da assistência social, psicológica e jurídica. Os casos também são acompanhados pela Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

Confira telefones para denúncia:

  • (71) 3117-7448 / 7447 – Centro de Referência Nelson Mandela
  • 0800 284 00 11 – Ouvidoria Geral do Estado

FONTE: https://www.correio24horas.com.br/

filhosdomundo

Kirimurê - significado - Conta á lenda tupinambá que uma ave partiu de terras muito distantes e voou incansável, dias e noites sem parar, até alcançar o litoral de uma terra imensa e bela, onde pousaria. Mas, cansada do grande esforço empreendido na longa viagem, a ave não resistiu e caiu ali já morta.

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